Nossa historia velha

Como surgiu o curso de comunicação social

A academia e as carreiras de Comunicação mantêm em comum a preocupação com a crítica da realidade social. Na segunda metade do século XX, a universidade e a Comunicação passam a frequentar a mesma casa, numa convivência ao mesmo tempo rica em conflitos e em experiências. Essa relação dialética impõe a necessidade de reformulações periódicas, que atendam as mudanças da sociedade e as inovações tecnológicas que influenciam as formas de pensar e agir. Criado em 1968, o curso de Comunicação Social cumpriu diversas etapas quanto à formação de profissionais de nível superior. Tornou-se um personagem maduro, quase sempre polêmico e enriquecedor. Um curso frequentado por gerações de jornalistas, publicitários, cineastas, que hoje ocupam postos-chave em redações de jornal, rádio, TV e revistas, em agências de propaganda, assessorias de comunicação, sets de filmagem, nos estúdios, ilhas de edição, em diretorias e gerências de empresa, entidades e sindicatos. Gente que toma decisões, que forma opinião e influencia os destinos do País. Com o tempo, alguns destes profissionais voltaram à universidade, para transmitir sua experiência aos jovens que, como eles, nos anos 60/70, viam a instituição, não apenas como alternativa de ascensão social, mas também como espaço livre para reflexão, apesar dos ares pesados que o Brasil respirava na época.

Retornaram aos bancos escolares, se reciclaram e se titularam, cumpriram os rituais de passagem da academia e hoje sentem-se habilitados a assumir as rédeas do curso dos quais foram pioneiros. Passados 36 anos de experiências e ousadias, há uma forte tendência de fixar o conceito de que as habilitações de Comunicação devem ser reconhecidas como campos de conhecimento no plano acadêmico, além de sua tradicional missão de formar profissionais capacitados. Nos últimos anos, o crescente número de dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas por profissionais que se tornaram pesquisadores da história, da linguagem, da teoria e da ética nos vários campos da Comunicação tem contribuído para sepultar a divisão platônica entre teoria e prática, que repartia em dois mundos o conhecimento e a reflexão de um lado, e a prática e o domínio das rotinas de produção, no outro campo. A proposta de reforma curricular pretende dar este salto de qualidade, sem abrir mão da indispensável contribuição dos demais campos de conhecimento na área de humanidades, sem os quais se tornaria impossível formar jornalistas, publicitários e cineastas conscientes de seu papel transformador na sociedade brasileira. Uma transformação comprometida com a inclusão social e a divulgação do conhecimento entre todos os cidadãos, inclusive aqueles que não têm acesso à universidade.

A história do curso de Jornalismo

O primeiro currículo do curso de Jornalismo da UFF foi implantado em 1968 e era composto por uma série de matérias das Ciências Sociais e das Letras, como História, Sociologia, Geografia e Línguas Estrangeiras. Elaborado no contexto da Ditadura Militar, o currículo foi criado para formar às pressas alunos que tivessem um perfil genérico das áreas de conhecimento necessárias para a formação do profissional de jornalismo. Naquele momento, o Governo pulverizava as faculdades de Filosofia – vistas como fábricas de conspiradores contra o regime – e destituía os cursos dela oriundos. A meta era dividir para governar, seguindo pensamentos difundidos por Maquiavel.

Ao segundo currículo incorpora-se o campo de estudos da Comunicação, dividido em duas matérias: Fundamentos Científicos da Comunicação e Introdução às Técnicas de Comunicação, ambas com quatro disciplinas de 60 horas. Somadas à História dos Meios de Comunicação e a outras disciplinas do ciclo básico, que englobavam noções de Arte, Língua Portuguesa, Sociologia, Antropologia, Filosofia, História e Liguística, o curso possuía, em meados dos anos 70, carga horária total 850 horas.

A reforma curricular de 1984 extinguiu a divisão entre ciclo básico, nos quatro períodos iniciais, e ciclo profissional, nos quatro últimos, com o intuito de eliminar o hiato entre teoria e prática, seguindo tendência de quase todas as correntes pedagógicas. No caso de Comunicação, a situação se agravava pelo fato da maioria dos conceitos teóricos serem importados de outras áreas de conhecimento sem a devida adequação. Em muitos casos, lembra o professor e jornalista Nilson Lage, aprendia-se nos dois primeiros anos que o Jornalismo e a Publicidade constituíam “manipulações exercidas por indivíduos inescrupulosos”. E os dois últimos anos seriam dedicados a ensinar aos alunos tais técnicas. Com este pensamento, não raros eram os casos de formandos que posteriormente se sentiam inconformados com a profissão escolhida.

Nos anos 90, o perfil dos professores das chamadas áreas técnicas mudou significativamente no que diz respeito à titulação e ao tempo de dedicação à universidade. A maioria dos docentes de Cinema, de Jornalismo e de Publicidade, frequentou ou frequenta cursos de pós-graduação e elaborou ou está elaborando dissertações e teses relacionadas à sua atividade profissional e/ou ao campo de conhecimento. A disposição e a qualificação habilitam estes professores a assumirem o controle acadêmico dos cursos nos quais se graduaram e/ou lecionam. Nos últimos anos os estudos de Comunicação evoluíram, estendendo o significado da linguagem e da teoria das mídias, antes restrito apenas a campo de atuação, a lugar de conhecimento. A tendência se reflete na criação de disciplinas do novo currículo que avançam para o campo da teoria. No Jornalismo, as áreas de ênfase (como audiovisual, design editorial, hipermídia, impressos, mídia sonora, mídia e cultura e mídia e sociedade) permitirão ao aluno direcionar seus estudos para áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando o leque de ofertas de disciplinas e de alternativas de conhecimento e de prática profissional. Tais inovações serão implantadas gradualmente, de acordo com as condições da universidade, equipamentos e disponibilidade de docentes, para não criar obstáculos à conclusão do curso.

A história do curso de Publicidade

Com a crescente oferta de produtos, proveniente do conceito da revolução industrial, houve uma grande necessidade de tentar vender mais rápido e para mais pessoas. É nesse contexto que a publicidade surge. No Brasil começou lá na época colonial, com pregões – anúncios em forma de música (uma espécie de jingle) -, e depois passou pelas épocas dos jornais com peças muito elaboras, de era do ouro do rádio, o boom da televisão e, agora, a era digital. Todos esses avanços midiáticos acompanharam as mudanças políticas e socioeconômicas do mundo e a publicidade caminhou junto à elas.

Ao passar do tempo, a publicidade começou a ficar mais elaborada, com o surgimentos de teorias e técnicas e que precisava de pensadores qualificados para criar as propagandas. Para suprir essa demanda, foram criadas faculdades específicas para estudar os novos conceitos da criação e planejamento, entender o mercado consumidor, debater sobre a ética e a legalidade da profissão etc. Criado em 1968, junto com as habilitações Cinema e Jornalismo, o curso de Publicidade tem origem no antigo setor de silk-screen da reitoria, responsável pela produção de cartazes e anúncios da UFF no final dos anos 60. A qualidade do curso levou diversos ex-alunos a encontrar espaço no mercado, seja trabalhando em agências ou departamentos de mídia e criação de empresas, seja abrindo suas próprias agências. Nos últimos anos, a habilitação Publicidade tem disputado com Jornalismo a segunda maior relação vaga-candidato no vestibular da UFF.

A publicidade é uma cadeira bastante concorrida na UFF, entre as primeiras na relação candidato/vaga. Não à toa, os alunos formados facilmente conseguem galgar altos postos no mercado de trabalho, que tem como foco os ensinamentos nas áreas: de mídia e conceitos sobre os veículos e meios de comunicação; de planejamento de campanhas e seu impacto na sociedade; de criação publicitária com enfoque tanto nas técnicas semióticas quanto na prática escrita; além de atendimento, marketing e negócios, comunicação digital e o segmento acadêmico.